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O verdadeiro Evangelho nos desafia a uma vida cujo padrão de cristianismo estabelecido não é humano, mas divino. E pelo fato de ser divino, torna-se extremamente elevado para nós, pois nosso padrão de cristianismo tem a tendência de ser ritualístico, religioso, farisaico.

O Evangelho puro nos mostra exatamente como nós somos e não como os outros são. O Evangelho verdadeiro revela o nosso próprio interior e não o interior alheio, por isso não deveríamos nos atrever a julgar o outro, muito menos formar um preconceito racial, social ou religioso.

O verdadeiro Evangelho nos desafia a amar incondicionalmente, independentemente de quem quer que seja. Por isso o amor incondicional é o amor ágape (agápe, no grego), porém, a natureza humana tende a relacionar o amor com merecimento; dessa forma amamos ou temos a tendência de amar somente àqueles que “merecem” o nosso amor. Esse amor não é divino, pois se fosse, estaríamos condenados eternamente, afinal, a graça, a misericórdia e o amor de Deus nos alcançaram, mesmo sem haver em nós merecimento algum. Os méritos são exclusivos de Cristo Jesus na Sua obra de redenção e justificação em favor da Sua Noiva, a Igreja.

O Evangelho ensinado por Jesus quebrou o padrão das tradições dos nossos pais, capacitando-nos a perdoar e a amar ao próximo como a nós mesmos; porém, ainda lutamos para que isso não se torne um peso na nossa caminhada cristã.  

Aos fariseus e escribas Jesus contou a “Parábola do filho pródigo”, afinal eles verbalizavam sem nenhum pudor seus pensamentos ao dizer: “Este recebe pecadores e come com eles” (Lucas 15.2b); porém, o amor do Pai revelado nessa parábola ao aceitar o filho mais novo, totalmente arrependido pela atitude insensata que tomou ao deixar os braços do Pai, impactou o coração daqueles homens, cujo padrão era fundamentado nas tradições do judaísmo e não no padrão divino, o que Jesus veio revelar.

Noutra ocasião, tentando testar Jesus, esses mesmos escribas e fariseus trouxeram à Sua presença uma mulher surpreendida em adultério (João 8.3), e distorcendo a Lei de Moisés, incitam o apedrejamento da mesma. Porém, para a decepção deles Jesus lhes pergunta: “Aquele que dentre vós estiver sem pecado seja o primeiro que lhe atire pedra” (João 8.7b), e ao ouvirem foram golpeados pela própria consciência e assim, de uma forma extraordinária, esses homens são forçados a rever seus conceitos da justiça divina.

Portanto, o verdadeiro Evangelho nos impacta, nos confronta e nos faz refletir sobre o padrão de cristianismo que estamos vivendo. Entretanto, esse mesmo Evangelho nos aponta para Cristo, o autor e consumador da nossa fé. Assim, olhar firmemente para Ele nos conduzirá a um padrão de cristianismo divino, para que, como sal e luz, possamos também impactar o mundo.

Pr. Celso Lopes

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