­

 

O capítulo sete do Evangelho de Mateus inicia-se assim: “Não julgueis, para que não sejais julgados.” A palavra usada por Jesus refere-se a pronunciar uma opinião relativa ao certo e errado.

No verso três fica claro que nenhum de nós tem a competência de emitir um julgamento, afinal pode existir uma trave no nosso próprio olho que nos impede de julgar retamente. O critério exato para o julgamento deve ser segundo a reta justiça e não segundo a aparência (João 7.24).

Um dos conceitos da palavra julgamento traz implícita a ideia de que o judicante é conhecedor da causa, por isso tem competência para julgar.

Logo, para alguém se posicionar como um judicante deverá ser um exímio conhecedor da causa para emitir com propriedade seu julgamento, caso contrário não estará apto para julgar segundo a reta justiça, por isso deve calar-se.

O julgamento com base na aparência apenas é extremamente perigoso. Foi exatamente o que aconteceu com três, dos quatro amigos de Jó. Veja a declaração de Deus sobre eles: “[...] o SENHOR disse também a Elifaz, o temanita: A minha ira se acendeu contra ti e contra os teus dois amigos; porque não dissestes de mim o que era reto, como o meu servo Jó. (Jó 42.7)

Vejamos ainda o caso de José. Analisando o fato de José ter sido vendido pelos irmãos (Gênesis 37.28) e posteriormente preso (Gênesis 39.20), poderíamos emitir o julgamento e apontar como motivo pelo qual seus irmãos o desprezaram foi o seu orgulho, afinal seus sonhos apontavam em sua proeminência em relação a seus irmãos. Com relação à sua prisão, sem as devidas informações, poderíamos julgá-lo merecedor da mesma.

Entretanto, todos os acontecimentos na vida de José estavam sob o controle da vontade soberana de Deus expressa pelo próprio José: “Deus me enviou adiante de vós, para conservar vossa sucessão na terra e para vos preservar a vida por um grande livramento. Assim, não fostes vós que me enviastes para cá, e sim Deus, que me pôs por pai de Faraó, e senhor de toda a sua casa, e como governador em toda a terra do Egito.” (Gênesis 45.7-8)

Paulo, ao instruir sobre a Ceia do Senhor, aponta o julgamento como uma das razões da fraqueza espiritual, das doenças e até mesmo da morte de alguns: “Eis a razão por que há entre vós muitos fracos e doentes e não poucos que dormem. Porque, se nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados. Mas, quando julgados, somos disciplinados pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo.” (1 Coríntios 11.30-32)

Portanto, devemos ser humildes e jamais pronunciar um julgamento sem conhecimento de causa. Devemos examinar a nós mesmos, numa introspecção no mais profundo da nossa alma, afinal essa é a orientação bíblica antes de participar da Ceia do Senhor. 

Pr. Celso Lopes

­